Artigo publicado nos principais jornais de Campos dos Goytacazes em 07/09/2008
MAIOR PATRIMÔNIO
INTROITO
Durante muito tempo creio que eu e a maioria dos brasileiros, sempre colocamos o sistema judiciário do país tanto em nível municipal, como estadual, e federal, nas diversas instâncias, como incorruptível. Sabíamos e sabemos que os poderes executivo e legislativo nos diversos níveis são passíveis de dúvidas.
No dia 17 de agosto de 2008, o Jornal do Brasil, de repercussão nacional, colocou como matéria de capa “Um Golpista no Judiciário”, com citação explícita de nomes que claramente estão envolvidos na “decisão saneadora” que culminou no meu afastamento da direção do Grupo IMNE. Conforme relato do próprio JB, a comissão especial de apuração apontou empresas, desembargadores e advogados por fraude. Citou nomes de renomados escritórios de advocacia e desembargadores que foram alvo de distribuições irregulares.
Agora, posso afirmar que o que considerávamos incorruptível foi associado aos demais poderes.
Entretanto, esse tema será motivo de matéria à parte, pois achamos que quem procura comprometer a vida de empresas que geram empregos merecem exposição pública de sua ficha cadastral.
VIVER
Pode-se ter uma grande razão para viver. E por essa mesma razão pode-se morrer. São muitos os episódios, na história, de gente que viveu por uma causa pela qual morreu. Acho que todos nós admiramos essas pessoas e gostaríamos de viver (e morrer) com esse desprendimento que revela, ao mesmo tempo, forte determinação.
Explico contando para vocês uma pequena história que conheço e que, se deu há pouco mais de cinqüenta anos.
Em 1954, Portinari, nosso artista plástico maior, foi proibido de usar – sequer tocar- tintas e pincéis. Com isso, os médicos faziam uma derradeira tentativa de interromper o processo de envenenamento que vinha minando gravemente a sua saúde: uma reação alérgica à grande quantidade de chumbo presente em algumas tintas. A sentença era clara: ou parava de pintar ou morria. Inconsolável, ele declarou numa entrevista: “Estou proibido de viver!”. E nesse caso era morrer ou... morrer, já que era o seu trabalho a razão da sua vida e a sua própria vida. Sem ele, sem seus pincéis e tintas, de que valia continuar vivendo? E, afinal, seria então apenas isso: respirar, comer, dormir e andar de um lado para outro o que chamavam viver? Não para um artista. Mil vezes não para um artista como Portinari. “Se sinto que posso viver sem pintar, é porque já não mereço meus quadros”.
Ironias das ironias, nessa mesma ocasião, Portinari foi convidado a pintar os murais Guerra e Paz na sede da ONU, em Nova York: duas imensas paredes de 14 metros de altura e 10 metros de largura, e que lá estão, testemunhando uma verdade de pungente humanidade, para orgulho de todos os brasileiros. A família, os médicos, os amigos, todos, enfim, aconselharam Portinari a recusar o trabalho em benefício da sua saúde e da sua vida. Desprezando todas as recomendações, mas consciente do perigo que corria Portinari aceitou o convite, que consumiu quase um ano inteiro de um trabalho sem descanso. Foram milhares e milhares de pinceladas que se revelariam fatais.
E foi assim, perdendo a vida pela sua arte, que Portinari saciou sua fome de viver.
“Manoel Carlos – Veja Rio – 13/08/08”
PASSADO
As pessoas costumam esquecer, mas se não tivéssemos o passado não teríamos história. Em abril de 1975, inauguramos o IMNE em sua conceituação básica, e a partir daí, podemos dizer que junto à equipe da época e muitos ainda são participantes, mudamos a medicina da região. Isso teve um custo de trabalho, desgaste e determinação, a ponto de hoje, o chamado Grupo IMNE, ser medicina de ponta e reconhecida em todo Estado do Rio de Janeiro. Os aproveitadores da falta de idealismo sempre estiveram presentes nas diversas circunstâncias de vida. São aqueles que sem nenhuma participação, pela utilização dos papéis, procuram destruir o que hoje se constitui na força direta e indireta de aproximadamente vinte mil pessoas.
MAIOR PATRIMÔNIO
Sempre considerei que o maior patrimônio de qualquer pessoa que se auto intitule como empresário são as pessoas que com ele trabalham. Sem essas pessoas não existe empresa, não existe crescimento, não existe geração de novos empregos, não existem novas idéias que, são magnificadas pelo espírito de corpo assumido, e pela participação constante doada, em virtude do reconhecimento de sua importância na estruturação dos serviços a que se propõem.
A direção administrativa de qualquer empresa tem que sempre buscar a dignificação de seus funcionários, propiciando cursos de aperfeiçoamento, possibilidade de crescimento e tranqüilidade para que exerça sua função sem maiores preocupações externas.
A receita que visa atingir esse objetivo é simples e de fácil execução, mas seria dentro da simplicidade, extremamente longa na exposição de uma matéria jornalística.
Na amplitude das coisas simples existe sempre uma palavra chave, a nossa pode ser resumida em respeito humano constante.
CAMINHO CERTO
“Viver é uma arte”.
Todos nós já ouvimos essa afirmativa, ou da forma que está escrita, ou de uma forma que tem o significado do que está escrito.
Quando fui surpreendido em uma manifestação espontânea de apoio, diante do absurdo jurídico cometido, por aproximadamente 1.200 (hum mil e duzentas) pessoas portando faixas, com camisetas estampadas: “Contra o medo coragem”, naquele momento, além da emoção do fato visível, tive a certeza de que conseguimos constituir uma equipe, que conseguimos trilhar o caminho certo, solidificado e bem pavimentado em 33 anos de trabalho conjunto.
Desnecessário dizer, mas torno público que, o maior patrimônio de nossa equipe jamais terá seus direitos básicos de cidadão comprometidos por aqueles que têm como meta de vida, unicamente, o que de material a vida pode oferecer.
Existem valores maiores que só podem alcançar os que com integridade e honra apresentaram-se a uma sociedade na busca do bem estar comum.
E vocês, componentes orgulhosos da família IMNE, personificam para mim, o exemplo dessa integridade e dessa honra citada.
DESVIOS
Ironicamente, a balança do judiciário vem cometendo repetidos desvios ultimamente, premiando os infratores pela inépcia de sua atuação e punindo os que produzem, pela precipitação do julgamento influenciado.
Tivemos casos próximos que poderiam servir de exemplo, com prejuízo para centenas de famílias em sua base de sustentação, envolvendo fraude fiscal e outros ônus que não são mensuráveis pela justiça como: depressão, alcoolismo, etc., etc...
O autor ou autores, visto que não deve ser caso isolado, fluem livremente sem que qualquer penalidade lhes seja imposta. O pior é que tentam estender essa atuação predatória para empresas sadias. Pior ainda, é que a nossa justiça propicia esses desmandos.
Herbert Sidney Neves